Em Imperatriz, a gente aprendeu a não confiar cegamente em permeabilidade de laboratório. A cidade cresce sobre os sedimentos da Bacia do Parnaíba e formações alteradas do embasamento — um ambiente onde a condutividade hidráulica real do maciço muitas vezes surpreende até o engenheiro mais experiente. O ensaio de permeabilidade in situ, executado conforme o método Lefranc em solos e Lugeon em rocha, fornece o dado que realmente importa para o projeto. Quando a obra exige rebaixamento de lençol ou injeção de calda de cimento em fundação de barragem, é essa informação de campo que define a viabilidade. Antes de chegar a essa etapa, muitos projetos na região partem de uma campanha de sondagens SPT para mapear a estratigrafia e selecionar os trechos mais representativos para os ensaios de perda d'água.
O valor de Lugeon não é um número abstrato: ele define se sua cortina de injeção vai consumir 50 ou 500 kg de cimento por metro linear de furo.
Metodologia aplicada em Imperatriz

Fatores críticos do terreno em Imperatriz
A ABNT NBR 16210:2013 exige que a perfuração para o ensaio Lefranc avance sem revestimento no trecho a ensaiar, para evitar a colmatação artificial das paredes do furo. Em Imperatriz, isso é particularmente relevante nos siltes micáceos que ocorrem na margem direita do Tocantins — qualquer perturbação por revestimento crava partículas finas nos poros e reduz artificialmente a permeabilidade medida. O risco de subdimensionar o sistema de rebaixamento é real e pode paralisar uma escavação na primeira cheia. Em ensaios Lugeon, o maior problema é a fraturação hidráulica inadvertida: aplicar pressão excessiva em rocha branda da Formação Sambaíba pode abrir fraturas que não existiam e mascarar o resultado. Nosso procedimento inclui patamares de pressão ascendente e descendente para verificar a reversibilidade do fluxo, identificando a pressão crítica de fraturamento antes que o dano ocorra.
Nossos serviços
Cada projeto em Imperatriz pede uma combinação específica de ensaios de permeabilidade e investigação complementar. Trabalhamos com três frentes principais:
Ensaio Lefranc em furo de sondagem
Executado durante a perfuração da sondagem SPT, com o tubo aberto assentado no fundo do furo e filtro de areia graduada. Medimos a vazão estabilizada em pelo menos três cargas hidráulicas diferentes para obter o coeficiente de permeabilidade médio do trecho.
Ensaio Lugeon em rocha
Utilizamos obturador pneumático duplo para isolar trechos de 3 a 5 metros em furo rotativo. Aplicamos cinco patamares de pressão (ascendente e descendente) e registramos a vazão absorvida. O resultado é expresso em unidades Lugeon, essencial para definir o tratamento de fundação de barragens e vertedouros.
Ensaio de perda d'água sob pressão (EPA)
Variante do Lugeon para maciços fraturados onde se investiga a eficácia de injeção de calda. Comparamos a absorção antes e depois do tratamento para validar a cortina de impermeabilização, seguindo critério de aceitação por redução progressiva da unidade Lugeon.
Perguntas frequentes
Qual a diferença prática entre o ensaio Lefranc e o Lugeon?
O Lefranc mede permeabilidade em solo, com água fluindo radialmente a partir da ponta do tubo aberto. O Lugeon mede absorção em rocha fraturada sob pressão controlada, usando obturador para isolar um trecho do furo. Em Imperatriz, usamos Lefranc nos aluviões arenosos da planície do Tocantins e Lugeon quando a sondagem atinge o basalto alterado da Formação Mosquito ou os arenitos da Formação Sambaíba. O dado do Lefranc alimenta modelos de rebaixamento; o Lugeon define a necessidade e o consumo de injeção.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade in situ em Imperatriz?
O investimento para um ensaio de permeabilidade in situ em Imperatriz varia entre R$1.560 e R$2.800, dependendo da profundidade, do método (Lefranc ou Lugeon) e da logística de acesso ao furo. O valor inclui a mobilização do obturador e o registro contínuo de vazão e pressão durante todos os patamares de ensaio.
Em que fase da obra se deve programar o ensaio de permeabilidade?
O ideal é durante a campanha de investigação geotécnica, logo após a conclusão dos furos de sondagem. Assim aproveitamos o mesmo furo para o ensaio, reduzindo custo de mobilização. Em projetos de barragem na região, programamos os Lugeon nos furos rotativos da fase de projeto básico, para que o dimensionamento da cortina de injeção esteja pronto antes da licitação da obra.
O ensaio Lugeon detecta fraturas preenchidas com argila?
Sim, e esse é um dos diagnósticos mais importantes. Uma unidade Lugeon muito baixa em rocha que deveria ser muito fraturada sugere que as descontinuidades estão seladas com material argiloso. Nesse caso, a injeção de calda de cimento pode não ser eficaz sem lavagem prévia. Nosso relatório inclui a curva pressão-vazão completa, que mostra claramente se há erosão das paredes da fratura durante o ensaio — sinal indireto de preenchimento argiloso mobilizável.
Qual a profundidade máxima que vocês ensaiam em Imperatriz?
Com nossa sonda rotativa, alcançamos até 80 metros para ensaios Lugeon em rocha. Para Lefranc em solo, a profundidade típica é de até 30 metros, compatível com a sondagem SPT que serve de furo piloto. Em projetos de captação profunda no Aquífero Serra Grande, podemos estender o ensaio conforme a necessidade do projeto.